Valentine’s Day, um desabafo sobre a comemoração dessa data

14 de fev, 2019 casal

Olha, vou desabafar:

Acho uma afronta com as laranjas que ainda não encontraram sua outra metade esse negócio de comemorar o dia dos namorados duas vezes.

Já não bastasse o embrulho no estômago que as pessoas sentem no 12 de junho, quando não recebem flores, cartão, chocolate e chamego, agora parece que o americano Valentine’s Day ganhou dupla nacionalidade e passaporte brasileiro.

Duvida? Dá uma olhada no feed e rapidinho você vai entender do que estou falando. 14 de fevereiro é dia quase monotemático, só se vê #valentinesday.

Eu sou romântica assumida e um pouco rebelde – assumida, também. Então, para não contribuir para as postagens massificadas de Valentine’s, e não ficar esfregando romance na cara de quem não está no melhor momento amoroso da vida, resolvi registrar a data por aqui.

Que não me entendam mal os casais apaixonados, que escolheram a dedo suas melhores fotos para florear o feed. Nada contra.

Ainda não encerrou a sua busca?

Esse texto é dedicado a você. Para aqueles corações que, vez ou outra, ainda sonham em se sentir plenamente preenchidos. Pra você, que às vezes se pergunta se existe a pessoa certa. Se tem por aí, nesses 7 bilhões de almas encarnadas, alguma que o Universo desenhou especialmente pra você.

Sinto desapontar, mas não, não tem.

Não tem uma pessoa certa, não tem uma alma gêmea, não tem cara metade, e não tem ninguém perfeitamente nascido para você. Em contrapartida, aposto que existe um mundo inteiro de possibilidades, uma diversidade imensa de pessoas e infinitas chances de deixar o coração aquecido.

Perfeito ninguém vai ser. É bem provável que, no início, todos pareçam. Aos poucos, a gente vai descobrindo as manias estranhas, as deformidades, as partes chatinhas. E, notícia boa: tá tudo bem. É exatamente desses dados que a gente precisa, para fazer apostas mais bem feitas.

É conhecendo bem os defeitos que você pode se perguntar se consegue conviver com eles. É sabendo da parte mais feia do seu cônjuge que você consegue analisar se, para respirar fundo diante da imperfeição do outro, você vai precisar atropelar seus valores. Se vai demandar muito esforço para aprender a contornar o tipo de conflito que vocês têm.

Porque olha, na maioria dos casos, a gente passa a vida brigando pelas mesmas coisas. Muda o script, e a raiz dos problemas é sempre bem parecida.

Amar dá trabalho. Porque amor, contraditoriamente, não é só romance. É uma escolha. E eu acredito que o primeiro passo dela deve ser uma análise bem realista sobre a compatibilidade dos seus defeitos (sim, vai ter que olhar pros seus também) com os defeitos do outro.

É preciso ver se as bagunças internas conseguem conviver harmoniosamente bem. Se os calos se esbarram sem muito se machucar. Se as negociações dentro da relação conseguem ser justas.

Porque amor, além de escolha, também é negócio. Business, mesmo. E a gente vive tendo que redesenhar o contrato. “Isso, pode. Aquilo cabe melhor se for feito dessa forma. Aquele detalhe ali, desculpa, eu não topo.”

E assim, aos poucos, contratante e contratado vão aparando arestas para lapidar a parte da relação que inclui poder, jogos, usos. Quanto mais justa for a transação, quanto mais igualitária for a divisão de poder, e quanto menos as partes se sentirem lesadas, mais organizada a relação vai estar para dar espaço à melhor parte, aquela que todo mundo quer: o romance.

Confesso: já achei que relacionamento fosse só romance. Já acreditei em conto de fadas, em alma gêmea, metade da laranja, príncipe encantado e amor incondicional. Como diria um conhecido meu: isso tudo é bem jeca. Se a gente não souber negociar bem as regrinhas práticas da relação, aos poucos, o romance vai desmoronando. O famoso desgaste.

Houve tempos, também, que pensei que um namoro era só burocracia. Tudo precisava ser discutido, vírgula por vírgula. Errei. Isso é igualmente jeca. Afinal, a graça da vida é ter bons momentos descontraí- dos, românticos e livres de racionalização – o que não quer dizer que a vida é feita só disso, OK? Essa parte, na verdade, é o prêmio para aqueles que aprendem a escolher e negociar bem.

Portanto, para os corações com GPS ligados em busca de um rumo, a dica é que estejam, em primeiro lugar, inteiros. Não roube nada seu para dar ao outro. Preencha-se a ponto de transbordar. Assim, o que vai para a outra pessoa é aquilo sobra em você. Abasteça-se de tolerância, serenidade, paciência e amor. E deixe expandir.

Depois, escolha com base nos defeitos. Ao longo dos anos, as imperfeições vão ficando mais evidentes e você vai precisar ter feito um bom acordo de convivência com elas.

Por fim, e não menos importante: aprendam a negociar de forma justa. Façam um contrato de relação bem feito, sustentável e com cláusulas que atendam de forma cuidadosa as duas partes envolvidas. O resultado vai ser uma relação mais leve, mais serena e com espaço de sobra para viver aqueles momentos apaixonados e poéticos, que hoje enfeitam o feed do nosso Instagram.

E, se você quiser uma ajuda para entender melhor como estruturar esses contratos, tem um módulo no meu curso Fórmula de Relacionamento que trata só disso, e outros tantos que complementam, e podem te ajudar a construir um relacionamento mais saudável.

Para acessar o curso clique AQUI.

 

Happy Valentine’s, you all! 🙂